Thursday, August 25, 2011

Expedição aos Maragoutos

Após os dois passeios anteriores, em que se descobriram por acaso dois marcos geodésicos no topo de dois montes incógnitos, renasceu uma paixão por um projeto há muito arrumado no fundo de uma gaveta: visitar todos os picos das montanhas de Portugal. Por "montanha" entenda-se qualquer elevação que se destaque relativamente à área circundante. Tanto pode ser um pequeno monte com poucas centenas de metros de altitude como os quase 2000m da Serra da Estrela. O que interessa é pisar um cume, desfrutar da vista e respirar ar puro!

Então, recolhi informação sobre todas as montanhas de Portugal: várias dezenas de picos, ordenados por altitude e distância de Guimarães. De seguida, abri o Google Earth e pus-me a "passear" pelos montes da vizinhança, tendo notado uma zona particularmente interessante, quando vista do céu. Trata-se da cumeeira dos Maragoutos, na zona de Revinhade, em Felgueiras, na zona de fronteira com dois concelhos vizinhos: Vizela e Lousada. Pelas fotos do Panoramio, vi tratar-se de um local especial, com vistas espetaculares sobre o vale do Vizela. Além disso, também tem um marco geodésico! Ocorreu então um clique na minha mente: "E se eu também visitasse todos os marcos geodésicos que pudesse e colecionasse fotos das visitas? Vai dar certamente um álbum interessante, vai coincidir muitas vezes com os picos mais altos da zona, vamos ter muitos passeios surpreendentes e, quem sabe, até resulta disto tudo outra coisa qualquer...". Pesquisei informação sobre a Rede Geodésica Nacional e descobri um ficheiro do Google Earth com... todos os vértices geodésicos do país! Perfeito! Recolhi as coordenadas dos vértices mais próximos de casa e decidi começar então pelos Maragoutos!

Mas não me fiquei por aqui. Mais umas pesquisas e umas leituras e eis que me surge outra razão para partir à descoberta: o esquecido geocaching. Já tinha ouvido falar do jogo há uns anos, mas nunca tinha aderido por não ter equipamento GPS. Agora que tenho equipamento e boas razões para explorar a natureza regularmente, toca a participar! Curiosamente, há duas geocaches no Monte dos Maragoutos! Estava então oficialmente dado o tiro de partida para três projetos com muito em comum!


Coordenadas GPS: 41°20'36.89"N 8°16'43.25"W (marco geodésico do Maninho)

Monday, August 22, 2011

São Miguel-o-Anjo em cinzas

Na anterior expedição aos montes de Airão São João, quando passava por Vermil, intrigou-me uma indicação para um suposto "Castro". Após algumas pesquisas, descobri que efetivamente há vestígios de um castro pré-romano no monte de S. Miguel-o-Anjo em Vermil. Ora, é mesmo disso que eu gosto: monte + castro = bons momentos de exploração.

Desta vez, a Sílvia não me acompanhou com o mesmo entusiasmo. A experiência anterior foi um pouco cansativa e atribulada, mas acabei por convencê-la de que haveria de certeza lugar a alguma aventura e o nome do monte é sempre interessante para os mais novos.

Chegados ao monte de S. Miguel-o-Anjo, encontrámos um cenário desolador: um enorme incêndio tinha consumido toda a floresta circundante poucos dias antes. Havia mesmo fumo a emanar ainda de alguns pontos. Apenas a capela de S. Miguel escapou ao fogo. À nossa volta, apenas víamos duas cores: o castanho dos eucaliptos secos e o preto das cinzas. Não é propriamente feio, mas impressiona e é algo sinistro. Decidimos apesar de tudo avançar para a exploração da área, tentando encontrar o tal castro.

A verdade é que não há quaisquer indicações nem vestígios óbvios do castro. Só um amador ou um especialista em construções pré-romanas vislumbraria esses vestígios, o que pode desiludir potenciais interessados que se deslocam ao local. As autoridades locais deveriam corrigir esta lacuna, colocando pelo menos um painel informativo ao lado da capela.

Durante a caminhada pelas cinzas da floresta, encontrámos um marco geodésico - o segundo numa semana - que perdeu totalmente a sua função, pois encontra-se oculto pelos altos eucaliptos. E foi neste momento que despertou o meu interesse em descobrir outros marcos na região: se num espaço de poucos quilómetros encontrei dois marcos, então deve haver dezenas à volta de Guimarães, e todos eles em locais elevados e potencialmente interessantes! Viria mais tarde aprender um pouco mais sobre a Rede Geodésica Nacional e confirmar que existem cerca de 5000 marcos em Portugal Continental!

Antes de partirmos, tivemos finalmente sucesso na nossa busca: encontrámos no chão coberto de folhas e cinzas, aquilo que me pareceu ser, com elevada probabilidade, os vestígios de uma construção pré-romana, com muitas pedras agregadas num círculo, semelhante à base de uma habitação. Wishful thinking?

Monday, August 15, 2011

Pelas pedras de Airão

No percurso que faço quase diariamente entre Guimarães e Braga, avisto, no cimo de um monte calvo a poente de Leitões, umas formas brancas, feitas pelo homem. Como estão longe e eu vou sempre cheio de pressa, nunca consegui perceber do que se trata. Andava intrigado há imenso tempo. Então, num dia de férias, abri o Google Earth e decidi explorar aquela zona, para tentar perceber do que se tratava. Vêem-se muitas pedreiras, mas também uma área extensa sem vegetação e com muito penedal. Hmm.. É mesmo do que eu gosto de ver no cimo dos montes. Convenci a Sílvia a acompanhar-me numa bela tarde de férias, e lá fomos à aventura.

Vamos pela nacional Guimarães - Famalicão e, pouco depois de Brito, viramos em direcção a Airão Santa Maria. Passamos por Vermil, Airão Santa Maria e começamos a subida para os ditos montes. Até que chegamos a Airão São João. Pausa para re-localizar com a ajuda do GPS. Hmm... Deve ser aqui à direita. Após alguns quilómetros, encontramos a estrada barrada: uma empresa de extração de pedra assenhorou-se da via! Incrédulos, voltamos para trás. Poucos metros depois, decido enveredar por um caminho de terra, a ver onde nos leva. E lá fomos, pelo meio do pó e passando por estranhos indivíduos que ouviam rádio nos seus carros no meio do monte. Finalmente, fomos recompensados. Chegamos exatamente ao local pretendido! Estacionar é fácil, com tanto espaço. O calor aperta, mas o entusiasmo é tanto que vamos a passos largos até à primeira elevação, mesmo à nossa frente. A poucos metros do cume, primeira surpresa: no meio dos penedos, está erigido um marco alto e estreito, em pedra, que mais se parece com um obelisco... Utilidade? Significado? É um mistério. Aproveitamos para lanchar e para brincar às princesas e aos dragões com a Sílvia.

Dali, vê-se, atrás de um bosque, mais uma elevação, que parece mais alta do que aquela onde nos encontramos. Atravessamos o denso arvoredo e chegamos à base da colina. Lá em cima, avista-se um marco geodésico. A subida foi custosa, mas as vistas que se tem do cume valem o esforço: de um lado, o vale do Ave e ao fundo o maciço da Penha; do outro, o vale do Este e o Sameiro. Mais um pequeno lanche e mais umas fantasias com a Sílvia e, pronto, já são horas de ir para casa!

Vim a saber dias depois o nome do marco geodésico e, provavelmente, do monte que pisámos: Penedice. é verdade: era mesmo uma penedice sem fim :-) E pelos vistos, sem o saber, num raio de poucas dezenas de metros, andámos a saltitar entre freguesias e entre concelhos: Airão São João, Oleiros, Leitões (Guimarães) e Escudeiros (Braga)!

Coordenadas: 41° 28' 35.65" N 8° 24' 45.08" W
Referência do marco geodésico: Penedice 466.53

De volta!

Mais de um ano depois, volto a escrever neste blog, pelo qual nutro um especial carinho, mas ao qual não pude dar o que devia por falta de capacidade. Escrever bem e fazê-lo de forma interessante, ainda por cima em inglês, não é tarefa fácil! Decidi baixar a fasquia: vou tentar escrever bem, não vou ter a pretensão de ter algo interessante para dizer, e vou fazê-lo na língua materna! Ufa! Que alívio! O objetivo continua a ser o mesmo: divulgar locais menos conhecidos onde por vezes se revelam grandes surpresas. Irei também aproveitar para criar uma coleção de artigos sobre a rede geodésica nacional, um passatempo que descobri por acaso nas férias de agosto. Aqui e ali, teremos também umas notas sobre geocaching... Comentários serão sempre bem-vindos e aceitam-se colaboradores!