Na anterior expedição aos montes de Airão São João, quando passava por Vermil, intrigou-me uma indicação para um suposto "Castro". Após algumas pesquisas, descobri que efetivamente há vestígios de um castro pré-romano no monte de S. Miguel-o-Anjo em Vermil. Ora, é mesmo disso que eu gosto: monte + castro = bons momentos de exploração.
Desta vez, a Sílvia não me acompanhou com o mesmo entusiasmo. A experiência anterior foi um pouco cansativa e atribulada, mas acabei por convencê-la de que haveria de certeza lugar a alguma aventura e o nome do monte é sempre interessante para os mais novos.
Chegados ao monte de S. Miguel-o-Anjo, encontrámos um cenário desolador: um enorme incêndio tinha consumido toda a floresta circundante poucos dias antes. Havia mesmo fumo a emanar ainda de alguns pontos. Apenas a capela de S. Miguel escapou ao fogo. À nossa volta, apenas víamos duas cores: o castanho dos eucaliptos secos e o preto das cinzas. Não é propriamente feio, mas impressiona e é algo sinistro. Decidimos apesar de tudo avançar para a exploração da área, tentando encontrar o tal castro.
A verdade é que não há quaisquer indicações nem vestígios óbvios do castro. Só um amador ou um especialista em construções pré-romanas vislumbraria esses vestígios, o que pode desiludir potenciais interessados que se deslocam ao local. As autoridades locais deveriam corrigir esta lacuna, colocando pelo menos um painel informativo ao lado da capela.
Durante a caminhada pelas cinzas da floresta, encontrámos um marco geodésico - o segundo numa semana - que perdeu totalmente a sua função, pois encontra-se oculto pelos altos eucaliptos. E foi neste momento que despertou o meu interesse em descobrir outros marcos na região: se num espaço de poucos quilómetros encontrei dois marcos, então deve haver dezenas à volta de Guimarães, e todos eles em locais elevados e potencialmente interessantes! Viria mais tarde aprender um pouco mais sobre a Rede Geodésica Nacional e confirmar que existem cerca de 5000 marcos em Portugal Continental!
Antes de partirmos, tivemos finalmente sucesso na nossa busca: encontrámos no chão coberto de folhas e cinzas, aquilo que me pareceu ser, com elevada probabilidade, os vestígios de uma construção pré-romana, com muitas pedras agregadas num círculo, semelhante à base de uma habitação. Wishful thinking?
Monday, August 22, 2011
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